quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Vivemos enclausurados numa caixa de vidro

“Vivemos enclausurados numa caixa de vidro”
Actualmente, a comunicação tornou-se mais fácil entre as pessoas. Todos têm telemóveis, Internet, webcam e serviços de mensagens instantâneas. Mas será que comunicar mais facilmente significa comunicar melhor?
Se há uns anos atrás, as pessoas da vizinhança simbolizavam uma espécie de segunda família, hoje, uma grande parte das pessoas não conhece os seus vizinhos. Antigamente, os amigos e familiares que não se viam há muito tempo encontravam-se e passavam longas horas a partilhar histórias e a contar novidades. Hoje, tudo se conta por SMS e quando os amigos estão juntos pouco ou nada têm para dizer. Se há duas décadas atrás, era necessário ir ao quiosque comprar um jornal para ficar a par da actualidade, hoje, basta aceder a um site de notícias e recebemos “quilos” de actualizações. Se há dez anos atrás, as pessoas que iam juntas no metro ou no comboio iam a conversar, hoje, vão sentadas com a cabeça inclinada para um telemóvel. Se antigamente ir ao cinema era um dia de festa porque significava uma saída com amigos, hoje em dia, é mais fácil ver um filme pirateado da Internet. Se há uns meros três anos, só era possível aceder à Internet de um computador fixo ligado a um modem, hoje, é possível aceder à Internet em qualquer lugar. Se há meia dúzia de anos, as conversas entre crianças do ensino básico se centravam em Barbies e pistas de carros, hoje, todas as conversas têm como tema o computador Magalhães. Há uns anos, as pessoas que se encontravam em apuros na rua eram socorridas por qualquer transeunte. Hoje, todos temem todos porque recebemos no e-mail avisos de pedófilos que andam à solta, raptores de crianças que andam por aí e assaltantes que colocam símbolos estranhos nos nossos carros. Se antes, ir de férias significava um desligamento do mundo do trabalho, hoje, é “obrigatório” levar um portátil com acesso à Internet para a praia.
Parece-me, pois, que apesar de ser mais fácil comunicar, as pessoas deterioraram a sua própria comunicação. Uma grande parte do dia do ser humano é passada em frente a um telemóvel ou a um computador. Na minha opinião, as pessoas vivem fechadas na sua própria bolha de isolamento pois têm medo de se dar a conhecer ao próximo se isso significar um contacto frente-a-frente. Tudo isto acontece porque, segundo me parece, toda a sociedade trabalha no sentido de tornar o ser humano numa espécie animal solitária. Senão vejamos: hoje, quem não sabe trabalhar em computadores é visto como um animal raro; hoje, quem não tem telemóvel é encarado como um anti-social; hoje, o teletrabalho tem vindo a ganhar destaque; hoje, as pessoas já não se encontram pessoalmente porque falar pela webcam é suficiente; hoje, é possível fazer compras pela Internet, evitando assim a socialização e, por fim, hoje, devido à ameaça da gripe A, há pessoas que evitam aproximar-se de outras pessoas.
Para concluir, resta-me acrescentar que toda esta evolução tecnológica e incentivo ao isolamento me assusta. O ser humano não pode esquecer que é um animal que nasceu para viver em sociedade!

4 comentários:

  1. dou graças por ainda não pertencer a esse grupo de pessoas que n conhece os vizinhos:eu conheço os meus e adoro-os. não me imagino a passar por eles e não dizer nd;
    tb não sou daquelas pessoas k andam com o pc e net para todo lado. No meu grupo de escuteiros e tb no de jovens tivemos k proibir esses tipos de aparelhos electronicos (portáteis, psp,..) nas actividades, pois o pessol n convivia;
    Sentir o calor humano é o melhor modo de comunicar, n sei pk as pessoas insistem em fazer o contrário...vamos nós revolucionar isto outra vez, deia???

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  2. Tudo o que disses-te é tão verdadeiro que até assusta!

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  3. ora bem... existe, realmente, uma evidente tendência para a comunicação em rede e podemos falar já em patologias relacionadas com adicções diversas à internet. mas não podemos, por outro lado, deixar de pensar que o homem nunca comunicou tanto como hoje!
    repara que, no seu início, a comunicação começou por ser interpessoal e, apenas com a invenção de determinadas tecnologias - talvez das primeiras tenham sido as percussões, que permitiram a reprodução de ritmos escutados à distãncia - é que o homem começou, primeiramente, por vencer o espaço. podemos referir, por exemplo, para além das percussões, o envio de mensageiros. mais tarde, o homem venceu o tempo, ao poder deixar as suas mensagens gravadas, primeiro na pedra, agora em qualquer página internet, ou suporte físico diverso.
    a grande problemática actual é precisamente a alteração de alguns valores que, quanto a mim, é ditada pela própria vida social, mais precisamente pelo trabalho. o problema é que, agora, trabalhamos em tempo real.
    o homem é multi-tasked, multi-plexed, já não há um emprego, há vários trabalhos que se fazem, para um sem número de gente, todos ao mesmo tempo e com prazos de conclusão "para ontem". ora, isso obriga a uma comunicação em tempo real, não só com aqueles com quem trabalhamos, mas também com todos os nossos contactos, já que o tempo é escasso.
    mas o tempo real tem mais. a utilização do telefone móvel e da internet permitem-nos o tal contacto imediato. a última, a internet, permite-nos não só o contacto imediato, mas simultâneo... e com todo o mundo, em nanossegundos.
    agora... há realmente um problema, que é um problema de solidão. e quanto a isso, há realmente algo a fazer.
    a realidade é que a maioria dos utilizadores da internet sofre de alguma iliteracia acerca deste meio. como tal, "vai a todas", sem pensar. quando dá por ela, está agarrado horas a fio.
    depois, há os que já nasceram com a internet e todos os meios existentes: são os que, enquanto estudam, respondem ao sms, ao msn, ao facebook e ao twitter, ao mesmo tempo que jogam warcraft... e vêem televisão.
    sinceramente, não são esses os que me preocupam mais, são pessoas que nasceram e têm crescido num outro quadro e com outros sistemas de valores mas que, no entanto, não confundem as coisas.
    os que me preocupam são os que se situam na faixa dos 35 a 45 anos e que já não sabem parar. esses são os deprimidos que, como qualquer deprimido, se agarram à primeira droga que encontram.
    o resto, é cultura...
    abraço,
    cjt

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  4. Excelente reflexão. é de facto assustador. e torna-se ainda mais assustador quando damos conta que realmente assim é e que nós mesmos, sim nós, também nos comportamos dessa forma. No que nos estamos a tornar?

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